domingo, 26 de novembro de 2017

Estrada

Um vento solitário
Rugindo de longe
Chega surfando sobre o ar frio
Quando passa
No tempo fechado
Deixa no seu rastro
Um silencio triste e vácuo
No vácuo o coração  se aperta
Mas continua
Ouço-o galopando
Sem parar me levando
Nesta estrada
Em passagem no caminho
A natureza me acena
E eu
Com um"bom dia" na garupa
Retribuo
Ouço ele: o coração
galopando me levando
Nesta estrada
A
Não sei onde.
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Rafi M. P    / 19/ 08/ 2017

domingo, 16 de julho de 2017

A mãe

A mãe abre o livro da vida
Um livro que tem
Tanta
E tanta página
Cheio de aventuras
Paisagens e histórias
Que lendo toda a vida
Ninguém deseja
Que ele se feche

Há na primeira página
A abertura carinhosa de dois braços
Repleta do calor do amor materno
Um amor condensado
Que se dissolve pouco a pouco
Sob o raio do sorriso
E vira a chuva de carinho

Numa outra página
Num fundo azul
O vento e as nuvens
Brincam de pega- pega
Ou o sol e a sombra
Brincam de esconde- esconde
Atrás das nuvens
O sol desaparece
Aparece logo correndo
A sombra
Quando o sol volta de novo
Volta se escondendo de novo
A sombra
Cansado o sol se põe
A sombra faz festa

Há numa outra página
Num fundo verde
Inúmeras folhas
Dançam com o som de violino da brisa
E as flores se encantam
Do amor impaciente
De uma linda borboleta

Esse livro tem
Tanta
E tanta página
Cheio de mares  de florestas
De amores  namoros e de festas
Que ninguém deseja
Que ele se feche

Para mãe que abre
Esse livro precioso
Vamos agir como
Professores e professoras
Para não deixar
Que esse livro se feche
Em nenhum lugar
Nem nas ruas
Nem nas estradas
Para que a mãe
Não se afogue
Nas águas
De lagrima
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Rafi M. P /15/07/2017


    

domingo, 7 de maio de 2017

A Pobreza 2

Chegou lá fora
Uma mulher
Com os passos reduzidos
Parou num canto
Hesitando

Mas o murmúrio de algumas crianças
Impregnado pelo cheiro dos pratos
Do restaurante
Deu-lhe a coragem

Desdobrou um saco plástico
Mostrou-o
Como uma tábua negra
Que insinuava a história da sua vida
Ao balconista
E recebeu o sinal positivo

Trocou e levou o saco substituído
 Contendo sobras variadas
Embaixo de uma lona
Num lugar distante
protegida pelos braços
Duma arvoro solitária
  
Ouviu a filha
Correndo alegre gritando
Oi mãe!
Oi mãe!
Olhe!
Fiz um boneco!

O boneco tinha
Uma perna de um super-homem
A cabeça de uma Barbie
E os braços
Dos bonecos diferentes

A mãe tentava montar um prato
Como a filha
Que tinha montado
Um
Boneco.
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Rafi M.P    07/05/2017

domingo, 16 de abril de 2017

A Páscoa


O dia de Páscoa
É um simbolo de recomeço
de uma nova vida
Em um novo dia
Sinal para descarregar
As dores e os fracassos
No passado
Replantar os desejos humanos
Nesse novo terreno
Aguá-los
Com a esperança firma
Para que eles
Desabrochem
Em um
Novo dia
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Rafi M. P
16/04/2017

domingo, 25 de dezembro de 2016

Absoluto

Estou ébrio sem beber
Alucinado sem fumar
Tremulam-se os lábios
Sinal da resistência
Para não chorar

A tentativa não demora
A forte chuva de lágrima
Corre no leito do rosto sem parar
O mestre me diz que tudo isso
É o efeito de te amar

Eu te sinto sem te ver
Eu te sinto sem tocar
Tu estás longe
Tu estás perto
Tu estás em todo lugar

Tu me queimas
Como o raio solar
Tu me iluminas
Como o luar

Para te ver
O meu olhar
Voa até as estrelas
Paira nas ondas
Rugindo no mar

Mas no meio dos murmúrios da vida
A mente me diz sussurrando
Que só ela é apta
De te enxergar
Em
Todo lugar

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Rafi M P  - 25-12-2016

domingo, 15 de novembro de 2015

Insônia

O pensamento
Não parava de pensar em ti
O relógio
Não parava de contar o tempo
Vinte
E
Duas
Vinte
E
Três
Zero hora

O pensamento
Livre da barreira do tempo e do espaço
Batendo as asas
Alcançou-te em
 Um instante

Eu
Sem asas para voar
Andava num caminho pedregoso
Levando no meu ombro
A carga pesada de saudade

Ele,
O pensamento
Respirava do charme de teus olhos
Sussurrando nos teus ouvidos
O perfume de sua paixão
Descansando na beira de teus lábios

O relógio
Continuava contando o passar do tempo
Uma hora da madrugada
Duas horas
Três horas da madrugada

O pensamento
Envolvendo-se contigo
Ficando pouco a pouco teu íntimo
Esquecendo de mim
Não abria a porta para o sono

Eu
Para distraí-lo
Dei-lhe uma folha branca
Para que ele escrevesse o que eu digo
Margarida
Orquídea
Violeta
Caçadora...

Olhei-lhe um momento
Pelo canto dos olhos
Ele tinha escrito
Na folha inteira
Repetidamente
Nada mais que o teu nome
... ...
... ...

O relógio
Continuava contando
Eu
Continuava lendo teu nome
A porta
Continuava sendo fechada
E o sono
Dormia
Fora

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   Autor: Rafi M. P

   12/01/2015

domingo, 1 de novembro de 2015

Quando tu foste

Quando tu foste
O sol
Retirou a tenda dourada
Do campo de tua vida
A lua
retirou os lençóis brancos
E o não ser
Apropriou-se de teu campo
Apagaram-se as janelas
Para os mares
Para as florestas
Para as estrelas ...
Não ficaram
Nem luz nem trevas
Os olhos
Procuram-te
Em vão
Na vaga

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     Autor:Rafi M. P - 2015
   

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aylan



Quem  tu és?
Um anjo para te ninar
Oi, Aylan!
Voltou querido
Da terra
Quase sem chegar

Está montado na terra
Um teatro de falsidade
Pelos ávidos de poder

Os protagonistas
Pintam suas avarezas
Pela cor azul do céu
Pintam suas camisas
Disfarçam-se cantarolando
As palavras
Dos mensageiros divinos

Uns dizem
Ter a missão de triagem
De homens no caminho do paraíso
De homens no caminho do inferno
Outros dizem
Ter a missão pacificadora
E são arquitetos talentosos
Instaladores de perfeita governança
Na superfície da terra
E perfeitos executores
Da Carta Magna
Dos Direitos Humanos

Mas atrás das cortinas
Reina a avareza ferrosa
Os concorrentes
Para chegarem ao ouro de avareza
Cavam as vidas
Pelo instrumento de fogo
Jogam-nas como a terra
Na terra e no mar
Incendeiam, vitimam

Tu és uma dessas vítimas
Entregue para mim
Pelos braços do mar
Para mim!
O anjo!
Para te ninar.

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(Aylan:nome de um menino de três anos,
filho de refugiados, achado afogado na beira do mar
Mediterrâneo.)
Autor: Rafi M. P





domingo, 27 de abril de 2014

Quando eu vejo

                                         
Quando eu vejo
As borboletas humanas
Voando nos jardins das escolas
Batendo as asas da juventude
Cantando a primavera
Soltando no ar
Os balões de seus sorrisos
Colorindo as calçadas
A alegria me sacode.
Despertado eu sinto que
Existo

Quando eu vejo
Uma moça
Abrindo as janelas de seus olhos
Ao mar de sua vida
Expondo na sala de seu rosto
Os quadros de sua beleza
Pintados com cores atraentes
Na espera de um barco
Para tocar a viagem
Neste agitado oceano da vida
Com as ondas turbulentas
Uma alegria ansiosa me sacode
E eu sinto que
Existo.

Quando eu vejo
Que uma idosa
Tentou desenhar no seu rosto
A imagem de sua juventude
O mistério da vida me sacode
E eu sinto que
Existo

Quando eu vejo
Um homem
Com os pés enfraquecidos e incrustados
Com o brilho tímido dos olhos afundados
Com uma enxada na mão
Mancando no caminho do garimpo do pão
A tristeza me sacode
E eu sinto que
Existo

Quando eu vejo
Uma criança
Sendo balançada na rede carinhosa
Dos braços de uma mãe
Com os sorrisos sinceros
Com os olhares inocentes
Não maculada pelo racismo
Pelo fanatismo ou xenofobia
A alegria de uma esperança
Que essas características
Tomem conta da vida no mundo
Faz-me sentir que eu
Existo

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Autor: Rafi M. P  

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Amor Alquimista

Ele é o Alquimista-mestre que dissolve
No caldeirão impaciente da paixão
Numa tornada esperançosa do sonho
O sujeito e o objeto
o amante e a amante
E faz uma amálgama brilhante
Transformando o "Eu" em "Tu"
E o "Tu"
Em "Eu".
_____________
Autor: Rafi M. P

domingo, 17 de novembro de 2013

Amor

Tu és o carinho
E a mensagem da Existência Absoluta
Tu nutres em teu seio
A vida no universo

Tu és a caneta raio que escreves
Na treva vácuo da inexistência
O conceito da "vida perpétua"

Tu insinuas as letras das canções
Tu sintonizas das vozes as cordas
Tu provocas as ondas nas canções
E tu surfas até a costa nas ondas

Tu és o anjo carteiro que entregas
As mensagens dos corações amorosos
Pelas janelas dos olhares intrigantes
Pelo desabrochamento dos sorrisos
Pelas portas das palavras entreabertas

Tu és a transparência da aurora
Por teu brilho desaparecem as trevas
Da crueldade e dos atos desumanos

Tu és o ar e o clima
Que propicia germinar a paz
E brotar no deserto das carências
A erva santa do carinho
Dos braços
Solidários

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Autor: Rafi M.P

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Destino

Este mar
mesmo imenso em volta
Com as águas salgadas não desaltera

Lá, longe, num sentido diferente
vê-se no espelho do horizonte
O reflexo sinuoso de um rio
Com esta sede atiçante
Não tem como continuar o caminho

Tem que virar o mastro
Tem que remar
Neste mar
Quilômetros e quilômetros
Este barco sedento
Num destino diferente

Desistir ou continuar
A mensagem é da vida
Que
paira no ar.
___________________
Autor:Rafi M.P




domingo, 4 de agosto de 2013

A Vida

Nesta árvore-mundo
Os ramos são horizontais                                                    
Chegam os pássaros
Em bandos
Dos quatro cantos
Espalham-se nos ramos e nos galhos
Brincam, disputam, namoram, fazem ninhos

E quando na alvorada
Os filhotes começam a cantar
Eles abrem as asas no por do sol
E começam a emigrar

Chega a primavera, eles não voltam
Passa o verão, o outono e o inverno
Chega a outra primavera, mas eles não voltam

Será que o destino era tão longe que eles ainda não chegaram?
Ou ali a primavera era tão primavera que
Eles não retornaram!
Ou que eles perderam
As asas
Que tiveram?  

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Autor: Rafi M. P       

sexta-feira, 9 de março de 2012

Mulher

Sem ti
O código do círculo da existência humana
Não funciona
A força gravitacional do mundo feminino
Vira história
Sem ti
A estrela da vida humana
Perde a órbita
A deriva na esfera da existência
Nas dunas da inexistência se arremessa
E logo, se apaga
Sem ti
Detrás das janelas nas vilas e vilarejos
Invadidos pelo silêncio poeirento
A doçura fina de tua voz
Na mente de um recém-nascido
Não emana
Sem ti
A sintonia da "beleza da natureza”
Por falta da flor da esfera humana
Vira incompleta

Sem ti
Na falta de olhares apaixonados
E o calor dos braços carinhosos
A palavra ”buquê” se desmancha
Murcham no chão o lírio, a rosa, a margarida

Tu és
O equilíbro dos homens
Sem ti
Eles flutuam no ar
Sem saber aonde ir
E onde parar
Tu és
O espelho da vida humana
É em ti
Que ela se revela
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Autor: Rafi M. P 

sábado, 26 de novembro de 2011

Teus olhos

Teus olhos
Fontes de mistérios
Ronda das cores e danças místicas
As pedras preciosas
A safira, o ônix, a esmeralda
O diamante, a opala e a alexandrita
Tentaram imitá-los sem saída

Quando viram teus olhos
Cachoeiras de ternura
Abram um mundo de sonho
Irrigam o sol do amor
Plantam jasmim no ar
Águam o jardim de beijos
Com a magia fazem o tempo parar

Teus olhos
Essas obras primas
Pelas ondas do olhar
Viram às vezes o mar
Que leva os barcos pescadores                                                            
A deriva, perdidas no alto mar

Teus olhos
Viram às vezes a noite
Cheio de estrelas de desejo
A lua olha a terra
Pela paixão do luar

Teus olhos
Para seduzir a caça
Produzem pelas ondas do olhar
Um ar exótico embriagador
Que a faz sonhar acordada

Teus olhos
Dois quadros vivos
Duas obras primas pintadas
Pelo Mestre absoluto
Inimitáveis, bonitos
E místicos
_________
Autor: Rafi M. P